SEMPRE FALTA ALGUMA COISA

 


Existe um vídeo da Julia Tolezano intitulado: « A falta que a falta faz! » E nesse vídeo (que eu já assisti mil vezes) Jout Jout faz uma reflexão sobre nossas questões com a falta. Afinal de contas nunca estamos completos, sempre falta alguma coisa!

Mas teve um dia, um único dia que eu consigo me lembrar nesses últimos meses que eu me senti completa! Fiz café da manhã pro meu companheiro, tivemos umas daquelas conversas que só nós dois somos capazes de desenrolar, ele foi trabalhar e sai andar para aproveitar a cidade maravilhosa que estou morando! Enquanto eu andava pensei: assim que chegar em casa vou estudar, arrumar a casa, porque hoje estou me sentindo uma potência, uma mulher feliz e completa.

Porém, em poucos segundos a minha completitude e potência foram embora. Olhei pra um homem com um cachorrinho passeando, logo lembrei do meu pai e do meu cachorrinho. Pronto, chegou a falta!

Senti a falta do cheiro do café que meu pai passava logo cedo, senti a falta do meu pai bravo porque meu irmão e minha mãe ainda estavam dormindo enquanto a churrasqueira já estava quente pro churrasco de domingo.

E junto com essa falta veio o desejo de ir pra casa. Pegar minha mochila e sair correndo, ir passar o final de semana com meus avós, daquele jeito: a chácara cheia, comendo a coxinha que só minha vó sabe fazer enquanto bebo um café preto, meu vô busca mais cerveja que ele guarda na geladeira lá de fora enquanto a carne já está assando na churrasqueira, e ver minha mãe desconversando enquanto estamos brigando (de novo) por causa de política na mesa.

E foi aí que a falta inundou meu peito de diversas formas: mesmo que eu pegasse o primeiro voo pro Brasil essa cena na minha cabeça não existiria. Vivemos em meio a uma pandemia e, infelizmente, nessa cena montada na minha cabeça existem pessoas que não poderiam mais estar lá!

Mas para não me deprimir eu comecei a pensar em todos os motivos que me trouxeram até onde estou agora. Eu precisava da minha potência de volta…eu me dediquei tanto, foram horas, dias, anos sonhando em viver novas experiências, estudando e me preparando para ser livre pelo mundo, porque era disso que a Jacqueline tinha falta: viajar, me conectar com novas pessoas, experimentar comidas, fazer um intercâmbio, buscar experiências que me mudassem como pessoa. Essa era minha falta e tenho certeza que é a falta de muitos que estão lendo esse texto.

E não é que eu era infeliz, eu era muito feliz e sabia disso! Assim como estou feliz agora e sei muito bem disso.

Mas a minha felicidade não me ensina a lidar com a falta. A falta talvez seja meu calcanhar de Aquiles, o que me derruba. E na minha vida a falta tem existido desde sempre. Sempre falta algo, alguém, alguma coisa!

Tentei, por vezes, preencher essa falta de tantas maneiras: com religião, me conectando com a natureza, com algumas viagens, estudando, com as minhas relações, fazendo uma pós-graduação, tomando um café, e nunca foi suficiente. E, se tem uma coisa que eu aprendi é que: sempre vai faltar.

Independente de quem você seja, do que conquistou ou não conquistou, de quantas pessoas amadas tem envolta ou quantas não tem, de onde você está ou de onde queria estar, SEMPRE VAI FALTAR!

Essa história de completude só cabe a quem está preso em uma garrafa vedada. Pois, se for pra viver presa, eu prefiro deixar transbordar e lidar com a fluidez das minhas faltas!

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